Antonio Barret É Novidade Na Programação, Confira

O Jazzmasters 1302 vai do R&B britânico dos anos 90 ao soul contemporâneo, do funk artesanal europeu às pistas noventistas de house e no meio desse percurso, apresenta um nome novo que merece atenção: Antonio Barret, apontando para o futuro com respeito às raízes.

Foto: Beverly Knight

Beverley Knight abre o programa com “Made It Back”, trazendo aquela força do R&B inglês que aprendeu com a tradição americana, mas com identidade própria, elegante. A presença de Redman adiciona peso e contraste, num encontro típico dos anos 90, quando o soul dialogava diretamente com o hip-hop. Em seguida, Dean Mark atualiza essa linguagem em “Love At First Sight”, com participação de Ivy Chanel, que classe. Fechando o primeiro bloco, o Electro Deluxe reafirma que o funk não envelhece: “Ain’t No Stoppin’” é groove de banda grande, tocado com precisão jazzística e energia de palco com acabamento europeu.

Foto: Gino Vannelli

A releitura de “Fly Into This Night”, eternizada por Gino Vannelli, ganha nova vida com o coletivo SIWTP, que trata o repertório clássico como matéria-prima, respeita a harmonia, mas atualiza a textura. E então surge o momento-chave do programa: Antonio Barret com “Stone Age”. Aqui está o frescor. Um artista que entende o passado, o funk dos anos 60, a estética disco, o indie dos anos 2000 e reorganiza tudo com leveza e apelo pop. É dançante sem ser superficial. Um nome que dialoga com uma nova geração que quer groove, mas também identidade visual e narrativa. Na sequência, Earth, Wind & Fire entra como um lembrete: “In The Stone” não é só música, é conceito, filosofia, espiritualidade e precisão musical sob a liderança de Maurice White.

Foto: Sharon Jones & Dap-Kings

O terceiro bloco mergulha no soul de raiz e suas reverberações modernas. Sharon Jones e os Dap-Kings resgatam o espírito dos anos 60 com autenticidade rara, sem caricatura. Já o Thee Sacred Souls mostra como essa estética continua viva entre os mais jovens, com delicadeza e emoção crua. E Mayer Hawthorne fecha o trio como um cronista moderno do amor e das relações, misturando ironia, groove e uma produção impecável que conversa tanto com o passado quanto com o presente.

Foto: Alison Limerick

Na reta final, o programa abre para experimentação e pista. Dux, ao lado de Moorea Masa, traz um funk futurista, quase psicodélico, que aponta novos caminhos sonoros. Em contraste, “Where Love Lives” de Alison Limerick, com a assinatura de Frankie Knuckles e David Morales, reafirma o poder eterno da house music, piano, voz e pista em comunhão. E o fechamento com Nuyorican Soul, projeto de Louie Vega e Kenny Dope Gonzalez, ao lado da gigante Jocelyn Brown, é pura celebração: música orgânica, espiritual e profundamente dançante.

No conjunto, é um programa que reafirma o DNA do Jazzmasters: tradição, elegância e radar ligado no novo — com Antonio Barret surgindo como um desses nomes que podem muito bem sair do “descobrimento” para se tornar recorrente na programação.

Ainda não ouviu? Ouça o Jazzmasters aqui.

Esse é o vídeo da música original de Beverly Knight. A gente abre o programa em versão sample do Chic e com o rapper Redman.

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