Omar Lye-Fook Continua Elegante, Orgânico e Relevante

O Jazzmasters Edição 1298 é daqueles programas com músicos tocando de verdade, grooves orgânicos e aquela sensação de que a tradição da black music continua viva, pulsando nas pistas e nos fones. É rota sonora que liga Chicago, Londres, Melbourne e Nova York.

Foto: Keni Burke

Abrimos com Keni Burke e o clássico “Risin’ to the Top”, lançado em 1982 no álbum Changes. Multi-instrumentista talentoso, ele tocou com nomes como Curtis Mayfield, Bill Withers e Natalie Cole antes de firmar carreira solo. “Risin’ to the Top” virou referência do groove sofisticado de Chicago e acabou eternizada na cultura hip-hop: sua linha de baixo foi sampleada por artistas como LL Cool J e Big Daddy Kane. A sequência traz a cantora canadense Lisa Shaw com “I’m OK”, faixa do álbum Free (2009). Filha de jamaicanos e criada em Toronto, Shaw se tornou uma das vozes mais respeitadas do soul eletrônico e da house sofisticada e construiu um estilo suave, elegante, quase cinematográfico. O destaque especial do programa chega com Omar Lye-Fook e “Can We Go Out”, uma das faixas do álbum Brighter The Days. Omar é simplesmente uma instituição da soul music britânica. Desde o clássico “There’s Nothing Like This”, de 1990, ele construiu uma carreira que mistura soul, funk, jazz, reggae e hip-hop com naturalidade. Em “Can We Go Out”, ele mostra exatamente por que continua relevante: arranjos orgânicos, groove elegante e aquela voz quente que transforma qualquer canção em conversa íntima.

Foto: Frank Ryle e Rob Hardt – Cool Million

O clima segue sofisticado com a dupla europeia Cool Million — formada por Frank Ryle e Rob Hardt — na faixa “Making Love”, com a cantora australiana Jeniqua. A música segue a tradição do chamado modern boogie, um estilo que resgata a estética do R&B dos anos 80 com produção contemporânea. Cool Million se tornou referência nesse universo justamente por tratar o groove com respeito: arranjos melódicos, vocais expressivos e aquele romantismo típico do soul. Depois vem um encontro poderoso entre duas grandes vozes do neo-soul: Jill Scott e Anthony Hamilton em “So in Love”, do álbum The Light of the Sun. O disco marcou seu retorno após quatro anos afastada da indústria e trouxe um processo criativo quase espiritual: músicos tocando ao vivo enquanto ela improvisava letras e melodias no estúdio. A vibração continua com Mondo Freaks e “Won’t You Decide” (2025). O coletivo australiano de Melbourne é formado por dez músicos e se tornou um dos nomes mais respeitados da cena funk contemporânea. e performances totalmente ao vivo.

Foto: Claudio Caccini – Funkatomic

O nosso segundo set entra no território dos remixes e redescobertas. Shalamar aparece com “A Night to Remember”, clássico de 1982 do álbum Friends. A versão apresentada aqui traz remix de John Morales, um dos pioneiros da cultura do remix. Voltamos ao soul britânico com Delegation e “One More Step to Take”, originalmente lançada em 1979 no álbum Eau de Vie. O grupo de Birmingham foi um dos grandes nomes do soul europeu da época, produzidos por Ken Gold, com harmonias vocais refinadas e groove elegante. A ponte com o presente aparece em Funkatomic com “Ride on the Moon” (2025), trazendo os vocais poderosos de Tracy Hamlin e a bateria de Derrick McKenzie, conhecido por seu trabalho com Jamiroquai. O resultado é disco contemporâneo respeitando a tradição da pista.

Foto: Kathy Sledge

Na reta final, o produtor italiano Papik revisita “Get Down Saturday Night”, clássico originalmente gravado por Oliver Cheatham em 1983. A nova versão, com Alan Scaffardi e a Soultrend Orchestra, resgata o espírito do funk e da disco com arranjos de big band e clima de festa. Depois vem o projeto italiano Kaigo, parceria entre o cantor Danny Losito e o guitarrista Gianluca Mosole. Em “So Good”, o duo mistura soul, pop e jazz-fusion com aquela tradição melódica italiana que sempre conversa bem com a black music. E para fechar, house music com pedigree: Twism apresenta “Thinking of You”, com a lendária Kathy Sledge, voz histórica do grupo Sister Sledge, e produção de Sandy Rivera, criador do projeto Kings of Tomorrow. É house com pura alma disco, perfeito para encerrar a jornada com elegância, pista cheia e muito groove.

Ainda não ouviu? Ouça o Jazzmasters aqui.

Omar Lyefook MBE, cantor, compositor e multi-instrumentista, consolida seu status lendário com seu mais recente álbum e nono álbum, Brighter The Days. Ao longo de três décadas, ele tem sido uma força definidora na música negra moderna, criando um som que combina perfeitamente soul, funk, jazz, salsa, dub e hip-hop, com raízes na música clássica. Como ele mesmo diz: “Cada álbum é uma evolução, por assim dizer. Mas eu gosto de pensar que esta é minha obra magna.”

Sua voz inconfundível impregnada pela sua herança caribenha é complementada por bateria orgânica, baixo, metais, teclados e guitarras encontrando a precisão samples e batidas, criando uma paisagem sonora atemporal e inovadora. Cordas arrebatadoras, inspiradas por sua formação inicial em música orquestral, adicionam grandiosidade. “Não há nada como a sensação de ouvir todas essas cordas tocando juntas”, diz ele. O resultado é uma música ambiciosa em sua concepção e impecável em sua execução.

No programa apresentamos ‘Can We Go Out’ deste album e no vídeo, a faixa que dá título ao álbum, aqui em apresentação no programa de Jools Holland.

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