O Jazzmasters segue como um mapa da black music, conectando gerações e costurando tudo com essa ideia simples e poderosa : música feita por gente e para gente.

A abertura já vem com frescor europeu e reverência ao groove clássico. Axnér apresenta “GYAML” com essa combinação que virou linguagem universal: vocais etéreos, produção limpa e uma base funk/disco que olha diretamente para Prince e D’Angelo, mas com sotaque escandinavo. Em seguida, Antoine Bourachot desenha “Sailing Away” onde o jazz encontra o beat eletrônico com naturalidade, lembrando essa escola francesa que transforma sofisticação em pista. Já Dr Packer, ao lado de Suki Soul, fecha o primeiro bloco do Jazzmasters com “Keep It Coming”, trazendo o espírito da disco filtrado pela cultura do remix.

Na sequência, o programa mergulha nas raízes. Bionic Boogie ressurge com “Hot Butterfly”, e o detalhe histórico é irresistível: ali está a voz ainda jovem de Luther Vandross, antes do estrelato, já mostrando elegância e controle absoluto. Depois, a história curiosa de Mark Capanni com sua composição e gravação de “I Believe In Miracles”. Gravada antes por ele, mas eternizada pelas Jackson Sisters, lembrando o que disse nosso DJ Modell, que na música nem sempre vence quem chega primeiro, mas quem conecta. Coragem, timing e um pouco de destino. Fechando o bloco, Lance Ferguson mostra como revisitar o passado sem soar nostálgico: “Dominoes” é reconstrução da música do Jungle sem querer copiar. Ferguson é um produtor que entende sobre a tradição virar matéria-prima.

O nosso segundo set vai pra pista com Kyle Walker, ao lado do amigo Fletch e os vocais de LYMA. “Play Me Off” entrega elegância minimalista mostrando que menos é mais. Um groove honesto. Já Funky District com Nic Hanson transforma “I Love It” numa celebração retrô-futurista: Paris encontra os anos 70 e sai dançando. E então vem Tortured Soul, com Christian Ulrich, uma instituição. “I’m In Love With U” é quase um manifesto: música eletrônica tocada ao vivo, com alma, suor e banda de verdade. Funciona em qualquer lugar do mundo porque tem aquilo que as IAs não conseguem traduzir: feeling.

O último bloco amarra tudo com classe e personalidade. Alicia Myers traz “You Get The Best From Me” como lembrança de uma era em que o R&B era sofisticado e direto ao mesmo tempo. É Detroit na veia. Mas o grande momento vem com a alemã Ada Morghe em “Amin Bird”, remixada por Mousse T.. Aqui há algo especial: uma voz que carrega ecos de Nina Simone e Grace Jones, mas sem ser refém dessas referências. Ada canta com presença, com narrativa e cria uma atmosfera única. E o remix entende isso, respeita o espaço, cria pulsação sem tirar a graça da música. É sofisticado, moderno e emocional na medida certa. Fechando, Jaegerossa com “Once in Her Life” conecta a disco-house contemporânea com a tradição do pop sofisticado, lembrando, de forma quase inconsciente, estruturas que vêm de The Doobie Brothers e nesta versão ele ainda utiliza a voz de Aretha Franklin. Incrível, no mínimo. O groove certo, na hora certa.
É assim que o Jazzmasters funciona: uma linha invisível que liga gerações diferentes pelo mesmo motivo, o groove.
Ainda não ouviu? Ouça o Jazzmasters aqui.
Funky District, nos mostra um universo com estética radiante dos anos 70 com funk, pop e soul, tudo impregnado daquele toque francês inconfundível que os diferencia. O coletivo se tornou forte em Paris com a adição de um baixista e um saxofonista, e se uniu a Nic Hanson da Philadelphia, misturando soul, R&B, funk, disco e instrumentação orgânica.
No palco, o grupo ilumina pequenos clubs e grandes casas noturnas, entregando um show ao vivo coeso, que já os levou por toda Europa. Assista: